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    • – CURAS

    A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo

    CURAS

    Hemorragia

    10. Então uma mulher, enferma de uma hemorragia há doze anos — que havia sofrido bastante nas mãos de vários médicos e que, tendo gastado todos os seus bens sem ter conseguido nenhum alívio, mas sempre piorando — tendo ouvido falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e tocou a roupa dele, pois ela dizia: “Se eu conseguir ao menos tocar sua roupa, eu ficarei curada.” No mesmo instante, a fonte da hemorragia cessou, e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.
    No mesmo instante Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que havia saído dele, voltou-se no meio da multidão e disse: “Quem tocou minhas vestes?” Seus discípulos lhe disseram: “Vê que a multidão te aperta de todos os lados e pergunta quem te tocou?” Ele olhava em torno de si para ver aquela que o havia tocado.
    Mas aquela mulher, que sabia o que se passava consigo, tomada de medo e pavor, lançou-se aos seus pés e lhe declarou toda a verdade. E Jesus disse a ela: “Minha filha, tua fé te salvou! Vá em paz e fique curada da tua enfermidade.” (Marcos, 5:25 a 34.)

    11. Estas palavras “Conhecendo em si mesmo a virtude que havia saído dele” são significativas; elas expressam o movimento fluídico que se operava de Jesus para a mulher enferma; ambos sentiram a ação que havia acabado de se produzir. É notável que o efeito não tenha sido provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve nem magnetização nem imposição de mãos. A irradiação fluídica normal foi suficiente para realizar a cura.
    Mas por que aquela irradiação se dirigiu mais àquela mulher e não às outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e estava cercado de uma multidão?
    A razão disso é bem simples: o fluido — considerado como matéria terapêutica — deve atingir a desordem orgânica para repará-la; ele pode ser dirigido sobre a enfermidade pela vontade do curador ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança e, em uma palavra, pela fé do enfermo. Com relação à corrente fluídica, o primeiro faz o efeito de uma bomba propulsora e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade dos dois efeitos; doutras vezes um só basta; foi o segundo caso que ocorreu na referida circunstância.
    Jesus então tinha razão de dizer: “Tua fé te salvou”. Compreendemos que aqui a fé não é a virtude mística tal como certas pessoas a entendem, mas uma verdadeira força atrativa, já que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia que paralisa a ação. Com isso, compreendemos que dois enfermos que sofrem do mesmo mal, estando na presença de um curador, um possa ser curado e o outro não. Este é um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica, por uma causa muito natural, determinadas anomalias aparentes. (Cap. XIV, itens 31, 32 e 33.)

    Cego de Betsaida

    12. Tendo chegado a Betsaida, trouxeram-lhe um cego e lhe pediam que o tocasse.
    E pegando o cego pela mão, ele o levou para fora da aldeia; passou-lhe a saliva nos olhos e impondo as mãos sobre ele, perguntou se ele via alguma coisa. O homem, enxergando, lhe disse: “Vejo homens caminhando que se parecem para mim como árvores.” Jesus lhe colocou de novo as mãos sobre os olhos e ele começou a enxergar melhor; por fim, ficou tão perfeitamente curado que via todas as coisas distintamente.
    Em seguida o mandou de volta para casa, dizendo-lhe: “Vai para tua casa; e se entrar na aldeia, não diga a ninguém o que aconteceu contigo.” (Marcos, 8:22 a 26.)

    13. Aqui o efeito magnético está evidente; a cura não foi instantânea, mas gradual e proporcional a uma ação prolongada e repetida — se bem que mais rápida do que na magnetização comum. A primeira sensação daquele homem foi exatamente a que os cegos experimentam ao recobrarem a vista; por um efeito de ótica, os objetos lhes parecem de tamanho exagerado.

    Paralítico

    14. Tendo subido numa barca, Jesus atravessou o lago e veio à sua cidade (Cafarnaum). E como lhe apresentaram um paralítico deitado em uma maca, Jesus, notando sua fé, disse a ele: “Meu filho, tenha confiança! Teus pecados estão redimidos!”
    Com isso alguns escribas disseram entre si: “Este homem blasfema”. Porém Jesus, tendo percebido o que eles pensavam, lhes perguntou: “Por que vocês conservam maus pensamentos em seus corações? Pois, o que é mais fácil: dizer ‘Teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te e anda’? Ora, para que saibam que o Filho do homem tem na Terra o poder de redimir os pecados: ‘Levanta-te! — disse então ao paralítico — Pegue a tua maca e vai para tua casa!’”
    O paralítico levantou-se imediatamente e foi para sua casa. E o povo, vendo aquele milagre, encheu-se de temor e rendeu graças a Deus por haver concedido tal poder aos homens. (Mateus, 9:1 a 8.)

    15. O que poderia significar essas palavras “Teus pecados estão redimidos” e em que elas podiam servir para a cura? O Espiritismo lhes dá a explicação, como a uma infinidade de outras palavras incompreendidas até hoje; ele ensina que pela lei da pluralidade das existências os males e as aflições da vida são muitas vezes expiações do passado, e que sofremos na vida presente as consequências das faltas que cometemos numa existência anterior: as diversas existências são solidárias umas com as outras, até que tenhamos quitado a dívida de nossas imperfeições.
    Portanto, se a moléstia daquele homem era uma punição pelo mal que ele tinha cometido, Jesus ao dizer-lhe “Teus pecados estão redimidos” era como lhe dizer “Você pagou a tua dívida; a causa da tua enfermidade está cessada pela tua fé presente; conseguintemente, você merece ficar livre da tua moléstia”. Daí o fato de ele haver dito aos escribas: “É tão fácil dizer ‘Teus pecados estão perdoados’ quanto ‘Levanta-te e anda.’”; cessada a causa, o efeito deve cessar. É exatamente o mesmo caso do prisioneiro a quem se vem dizer: “Teu crime está expiado e perdoado”, o que equivaleria a lhe dizermos “Pode sair da prisão”.

    Os dez leprosos

    16. Um dia, indo para Jerusalém, ele passava pelos confins da Samaria e da Galileia, estando prestes a entrar numa aldeia, dez leprosos vieram ao seu encontro e, mantendo-se afastados, elevaram suas vozes lhe dizendo: “Jesus, nosso Mestre, tem piedade de nós!” Logo que os percebeu, disse a eles: “Vão e se apresentem aos sacerdotes!” E enquanto iam lá, eles ficaram curados.
    Um deles, vendo que estava curado, refez seus passos, glorificando a Deus em voz alta; e vindo se lançar aos pés Jesus, com o rosto em terra, rendendo-lhe graças; e este era samaritano.
    Então Jesus disse: “Todos os dez não ficaram curados? Onde estão, pois, os outros nove? Não se acha nenhum deles que tenha voltado e rendido glória a Deus a não ser este estrangeiro.” E disse a esse: “Levante-se e vá; tua fé te salvou!” (Lucas, 17:11 a 19.)

    17. Os samaritanos eram cismáticos — mais ou menos como os protestantes em relação aos católicos — e desprezados pelos Judeus como hereges. Curando indistintamente os samaritanos e os judeus, Jesus dava ao mesmo tempo uma lição e um exemplo de tolerância; e destacando que só o samaritano havia voltado para glorificar a Deus, mostrava que havia nele maior soma de verdadeira fé e de reconhecimento do que nos que se diziam ortodoxos. Acrescentando “Tua fé te salvou”, fez ver que Deus olha o que há no íntimo do coração e não na forma exterior da adoração. Entretanto, também os outros tinham sido curados; e isso era necessário para a lição que ele queria dar, e provar a ingratidão deles; no entanto, quem sabe o que isso lhes terá resultado e se eles teriam se beneficiado do favor que lhes foi concedido? Ao dizer ao samaritano “Tua fé te salvou”, Jesus dá a entender que não havia ocorrido o mesmo aos outros.

    Mão seca

    18. Jesus entrou novamente na sinagoga e ali encontrou um homem que tinha uma das mãos seca. E eles o observavam para ver se ele o curaria num dia de sábado, para terem um motivo de acusá-lo. Então, ele disse ao homem que tinha uma mão seca: “Levante-se e se coloque ali no meio!” Depois, disse àqueles: “É permitido em dia de sábado fazer o bem ou mal, salvar a vida ou tirá-la?” E eles permaneceram em silêncio. Ele, porém, encarando-os com indignação, afligido que estava com a dureza dos corações deles, disse ao homem: “Estende a tua mão!” Ele a estendeu e ela ficou sarada.
    Imediatamente os fariseus saíram e tramaram contra ele junto aos herodianos sobre o meio de prendê-lo. Mas, Jesus se retirou com seus discípulos para o mar, onde uma grande multidão o seguia da Galileia e da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia e de além do Jordão; e os das cercanias de Tiro e de Sídon, tendo ouvido falar das coisas que ele fazia, vieram em grande número lhe encontrar. (Marcos, 3:1 a 8.)

    A mulher curvada

    19. Jesus ensinava numa sinagoga todos os dias de sábado. E um dia, ele viu ali uma mulher possuída de um Espírito que a deixava doente há dezoito anos; e ela era tão curvada que não podia olhar para cima. Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse: “Mulher, você está livre da tua enfermidade!” Ao mesmo tempo, ele impôs as mãos sobre ela; e na mesma hora ficando endireitada, ela rendeu graças a Deus.
    Porém, o chefe da sinagoga, indignado por Jesus haver curado num dia de sábado, disse ao povo: “Há seis dias destinados ao trabalho; venham nesses dias para serem curados e não nos dias de sábado!”
    O Senhor, tomando a palavra, disse-lhe: “Hipócrita, há algum de vocês que não desamarre da manjedoura seu boi ou seu jumento no dia de sábado e não o leve para beber água? Por que então não se deveria, num dia de sábado, libertar dos laços que a prendiam esta filha de Abraão, que Satanás mantinha presa durante dezoito anos?”
    A estas palavras, todos os seus adversários permaneceram confusos e todo o povo ficou encantado de vê-lo praticar tantas ações gloriosas. (Lucas, 13:10 a 17.)

    20. Este fato prova que naquela época a maior parte das enfermidades era atribuída ao demônio e que, como ainda hoje, todos confundiam os possessos com os doentes, mas em sentido inverso, isto é, hoje, os que não acreditam nos maus Espíritos confundem as obsessões com as moléstias patológicas.

    Paralítico da piscina

    21. Depois disso, tendo chegado a festa dos judeus, Jesus foi a Jerusalém. Ora, havia em Jerusalém a piscina das ovelhas, que em hebreu se chama Betesaida, a qual tinha cinco galerias — onde se encontravam deitados um grande número de doentes, cegos, coxos e os que tinham os membros ressecados, todos à espera de que a água fosse agitada, pois, em determinada época o anjo do Senhor descia àquela piscina e agitava sua água; e aquele que primeiro entrasse na piscina depois que a água fosse agitada ficava curado — qualquer que fosse a doença que ele tivesse.
    Pois bem, havia lá um homem que era doente há trinta e oito anos. Jesus, tendo-o visto deitado e sabendo que ele era doente desde longo tempo, indagou-lhe: “Quer ser curado?” O enfermo respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina depois da água ser agitada, e antes que eu chegue lá, outro desce à frende de mim.” Jesus lhe diz: “Levante-se, toma a tua maca e caminha!” No mesmo instante o homem ficou curado; e pegando a sua maca, pôs-se a andar. Ora, aquele dia era um sábado.
    Então os judeus disseram àquele que havia sido curado: “Hoje é sábado; não te é permitido carregar tua maca.” O homem lhes respondeu: “Aquele que me curou disse: toma a tua maca e anda!” Indagaram-lhe então: “Quem foi esse homem que te disse: Toma a tua maca e anda?” Mas nem mesmo o homem que tinha sido curado sabia quem era aquele, pois Jesus tinha se retirado do meio da multidão que lá estava.
    Depois, Jesus encontrou aquele homem no templo e lhe disse: “Veja que foi curado; não peque mais no futuro, para que não te aconteça coisa pior!”
    Esse homem foi se encontrar com os judeus e lhes disse que foi Jesus quem o havia curado. E por essa razão os judeus perseguiam Jesus, porque ele fazia aquelas coisas em um dia de sábado. Então, Jesus lhes disse: “Meu Pai não para de trabalha até o presente e eu também trabalho incessantemente.” (João, 5:1 a 17).

    22. Entre os romanos, piscina (da palavra latina piscis, peixe) significava reservatórios ou tanques de água onde se criavam peixes. Mais tarde, a acepção desse termo foi estendida às bacias onde se tomava banho coletivo.
    A piscina de Betesaida em Jerusalém era uma cisterna, próxima ao Templo, alimentada por uma fonte natural, cuja água parece ter tido propriedades curativas. Sem dúvida, era uma fonte intermitente, que em certas épocas jorrava com força e agitava a água. Segundo a crença comum, esse era o momento mais propício às curas; na realidade, no momento de sua saída, talvez a água tivesse uma propriedade mais ativa, ou que a agitação produzida pela água jorrante fizesse remoer o lodo salutar contra algumas moléstias. Esses efeitos são muito naturais e perfeitamente conhecidos hoje; mas então as ciências estavam pouco adiantadas e todos viam uma causa sobrenatural na maioria dos fenômenos incompreendidos. Os judeus atribuíam a agitação daquela água à presença de um anjo, e essa crença lhes parecia tanto mais fundamentada quanto naquele momento a água era mais salutar.
    Após ter curado aquele homem, Jesus lhe disse “Não peque mais no futuro, para que não te aconteça coisa pior”. Por essas palavras, deu-lhe a entender que a sua doença era uma punição, e que, se ele não se melhorasse, poderia ser punido de novo e ainda mais rigorosamente. Essa doutrina é inteiramente conforme aquela que o Espiritismo ensina.

    23. Jesus parecia fazer questão de operar suas curas no dia de sábado, para ter ocasião de protestar contra o rigor dos fariseus no tocante à observação desse dia.¹⁸⁰ Ele queria mostrar a eles que a verdadeira piedade não consiste na observância das práticas exteriores e das formalidades, mas que a piedade está nos sentimentos do coração. Ele se justificava declarando: “Meu Pai não cessa de trabalhar até o presente e eu também trabalho incessantemente”; quer dizer: “Deus não suspende suas obras nem sua ação sobre as coisas da natureza nos dias de sábado; continua a produzir tudo quanto é necessário à alimentação e à saúde de vocês; e eu sou seu exemplo.”

    Cego de nascença

    24. Quando Jesus passou, viu um homem que era cego de nascença; e seus discípulos lhe interrogaram: “Mestre, foi o pecado desse homem ou o pecado daqueles que o puseram no mundo que deu causa a que ele nascesse cego?”
    Jesus lhes respondeu: “Não é porque ele pecou, nem pelo pecado dos que o puseram no mundo; mas para que as obras do poder de Deus se evidenciem nele. É preciso que eu faça as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, na qual ninguém pode agir. Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo.”
    Após ter dito isso, cuspiu no chão, e tendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego, e lhe diz: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!”, que significa Enviado. Ele então foi, lavou-se e voltou vendo claramente.
    Seus vizinhos e aqueles que o tinham visto antes a pedir esmolas diziam: “Este não é aquele que estava assentado e que pedia esmola?” Uns respondiam: “É ele”; outros diziam: “Não, é alguém que se parece com ele”. Porém o homem lhes dizia: “Sou eu mesmo”. Perguntaram-lhe então: “Como seus olhos se abriram?” Ele respondeu: “Aquele homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos, dizendo ‘Vai à piscina de Siloé e lava-te’. Fui, lavei-me e agora enxergo.” Retrucaram-lhe: “Onde está ele?” O homem respondeu: “Não sei.”
    Depois, levaram aos fariseus aquele homem que era cego. Ora, foi num dia de sábado que Jesus havia feito aquela lama e tinha aberto os olhos do cego.
    Os fariseus também o interrogaram para saber como ele havia recobrado a visão. E ele lhes disse: “Ele me pôs lama nos olhos, eu me lavei e enxergo.” Ao que alguns fariseus retrucaram: “Esse homem não é enviado de Deus, pois que não guarda o sábado.” Outros, porém, diziam: “Como poderia um homem mau fazer tais prodígios?” E a respeito disso, surgiu ali desacordo entre eles.
    Disseram de novo ao cego: “E tu, o que diz desse homem que te abriu os olhos?” Ele respondeu: “Digo que é um profeta.” Mas, os judeus não creram que aquele homem tivesse sido cego e que tivesse recobrasse a vista enquanto não fizessem vir o pai e a mãe dele, a quem interrogaram assim: “É este o filho de vocês, que dizem ter nascido cego? Como é que ele agora vê?” O pai e a mãe responderam: “Sabemos que esse é nosso filho e que nasceu cego; porém, não sabemos como agora vê e tampouco sabemos quem lhe abriu os olhos. Interroguem-no; ele já tem idade, que responda por si mesmo.”
    Seu pai e sua mãe falavam desse modo porque temiam os Judeus, visto que estes já haviam resolvido juntos que qualquer um que reconhecesse Jesus como sendo o Cristo seria expulso da sinagoga. Foi o que obrigou o pai e a mãe a responderem: “Ele já tem idade; interroguem ele mesmo.”
    Então chamaram pela segunda vez aquele homem que era cego e lhe disseram: “Glorifique a Deus; sabemos que esse homem é um pecador!” Ele lhes respondeu: “Se é um pecador, eu não sei; mas tudo o que sei é que eu era cego e agora vejo.” Tornaram a lhe perguntar: “O que ele te fez e como ele abriu os teus olhos?” Respondeu o homem: “Eu já lhes disse isso e vocês me ouviram bem; por que querem ouvir uma segunda vez? Será que querem se tornar discípulos dele?” Ao que eles o encheram de injúrias e lhe disseram: “Seja você discípulo dele! Quanto a nós, somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas quanto a este, não sabemos de onde saiu.”
    Aquele homem lhes retrucou: “É de espantar que não saibam donde ele é, e nem que ele tenha aberto os meus olhos. Ora, sabemos que Deus não exalta os pecadores; mas sim àquele que o honra e faz a sua vontade; é a esse que Deus exalta. Desde que o mundo existe, jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse um enviado de Deus, ele não poderia fazer nada de tudo o que tem feito.”
    Os fariseus lhe responderam: “Você não passa de um pecado desde o ventre de tua mãe, e quer nos ensinar?” E o expulsaram. (João, 9:1 a 34)

    25. Esta narrativa tão simples e tão ingênua traz em si o cunho evidente de uma verdade. Nada de fantasista nem de maravilhoso; é uma cena da vida real apanhada em flagrante. A linguagem daquele cego é exatamente a desses homens simples nos quais o saber é suprido pelo bom senso, e que retrucam aos argumentos de seus adversários com bondade, e por razões a que não falta nem justeza nem propósito. O tom dos fariseus não é o daqueles orgulhosos que nada admitem acima de suas inteligências, e se indignam da simples ideia de que um homem do povo possa lhes corrigir? Salvo a característica local dos nomes, parece nosso tempo.
    Ser expulso da sinagoga equivalia a ser posto fora da Igreja; era uma espécie de excomunhão. Os Espíritas — cuja doutrina é a do Cristo, interpretada de acordo com as luzes atuais — são tratados como os judeus que reconheciam em Jesus o Messias; excomungando-os, eles os põem fora de a Igreja como os escribas e os fariseus fizeram com os seguidores de Jesus. Assim, aí está um homem que é expulso porque não pode admitir que aquele que o havia curado fosse um possesso do demônio e porque ele glorifica a Deus pela sua cura! Não é o mesmo o que fazem com os Espíritas? O que eles obtêm: sábios conselhos dos Espíritos, reconciliação com Deus e com o bem, curas — tudo isso é obra do diabo e lhes lançam maldição. Não se têm visto padres declararem, do alto do púlpito, que é melhor permanecer incrédulo do que resgatar a fé por meio do Espiritismo? Não há os que dizem aos doentes que estes não deviam se curar pelos Espíritas que possuem esse dom porque esse dom é satânico? Outros pregam que os desgraçados não deviam aceitar o pão distribuído pelos Espíritas porque esse pão era do diabo? O que mais os sacerdotes judeus e os fariseus diziam ou faziam? De resto, dizem que tudo hoje deve se passar como no tempo do Cristo.
    Essa pergunta dos discípulos “Foi algum pecado deste homem que causou ele nascer cego?” indica a intuição de uma existência anterior, pois do contrário ela não teria sentido, pois o pecado que seria a causa de uma enfermidade de nascença deveria ter sido cometido antes do nascimento e, portanto, numa existência anterior. Se Jesus tivesse visto nisso uma ideia falsa, ele teria lhes dito “Como este homem poderia ter pecado antes de ter nascido?” Em vez disso, ele lhes diz que aquele homem estava cego não por ter pecado, mas para que o poder de Deus se revelasse nele; isto é, que ele deveria ser o instrumento de uma manifestação do poder de Deus. Se não era uma expiação do passado, era uma provação que deveria servir ao seu adiantamento, pois Deus — que é justo — não poderia lhe impor um sofrimento sem compensação.
    Quanto ao meio empregado para a sua cura, evidentemente aquela espécie de lama feita de saliva e terra não podia conter nenhuma virtude senão a ação do fluido curador de que ela estivesse impregnada; é assim que as mais insignificantes substâncias — a água, por exemplo — podem adquirir qualidades poderosas e efetivas sob a ação do fluido espiritual ou magnético ao qual elas servem de veículo, ou se quiserem, de reservatório.

    Numerosas curas operadas por Jesus

    26. Jesus ia por toda a Galileia ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as fraquezas e todas as enfermidades no meio do povo. E como sua fama havia se espalhado por toda a Síria, traziam-lhe todos os que estavam enfermos e afligidos por diversos males e dores, os possessos, os lunáticos, os paralíticos, e ele curava a todos; – e uma grande multidão de povo o seguia da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e de além Jordão (Mateus, 4:23 a 25.)

    27. De todos os fatos que dão testemunho do poder de Jesus, sem dúvidas que os mais numerosos são as curas; ele queria provar dessa forma que o verdadeiro poder é aquele que faz o bem, que o seu objetivo era ser útil, e não satisfazer à curiosidade dos indiferentes por coisas extraordinárias.
    Aliviando o sofrimento, ele prendia a si as pessoas pelo coração e fazia seus adeptos mais numerosos e sinceros do que se apenas os encantasse com espetáculos para os olhos. Por esse modo, fazia-se amado, ao passo que se ficasse limitado a produzir fatos materiais surpreendentes — como os fariseus lhes pediam — a maioria das pessoas não teria visto nele senão um feiticeiro ou um mágico hábil que os desocupados quisessem ver para se distraírem.
    Assim, quando João Batista envia seus discípulos para lhe perguntar se ele era o Cristo, ele não respondeu “Eu sou o Cristo”, como qualquer impostor teria dito; tampouco ele lhes fala de prodígios ou de coisas maravilhosas, mas responde simplesmente: “Vão dizer a João: os cegos veem, os doentes são curados, os surdos escutam, o Evangelho é anunciado aos pobres”. Era o mesmo que dizer: “Reconheçam-me pelas minhas obras; julguem a árvore pelo seu fruto”, porque esse era o verdadeiro caráter da sua missão divina.

    28. É também pelo bem que faz que o Espiritismo prova sua missão providencial. Ele cura os males físicos, mas sobretudo cura as doenças morais, e esses são os maiores prodígios pelos quais se afirma. Seus adeptos mais sinceros não são os que se sentem encantados pela observação de fenômenos extraordinários, mas aqueles que foram tocados no coração pela consolação; aqueles que foram libertos das torturas da dúvida; aqueles cuja coragem foi levantada nas aflições, que depositaram a força na certeza no futuro que ele veio trazer, no conhecimento do seu ser espiritual e no seu destino. Esses são aqueles cuja fé é inabalável, pois sentem e compreendem.
    Aqueles que enxergam no Espiritismo unicamente efeitos materiais não podem compreender sua força moral; assim como os incrédulos — que não o conhecem exceto pelos fenômenos dos quais eles não admitem a causa primária — não enxergam nos Espíritas além de mágicos e charlatões. Pois não será por meio de prodígios que o Espiritismo triunfará sobre a descrença: mas será pela multiplicação dos seus benefícios morais, porque se os incrédulos não admitem os prodígios, eles conhecem — como todo o mundo — o sofrimento e as aflições, e ninguém recusa alívio e consolação.

    Possessos

    29. Vieram em seguida a Cafarnaum, e Jesus, primeiramente entrando na sinagoga em um dia de sábado, os instruía; e eles estavam admirados da sua doutrina, porque ele os ensinava como tendo autoridade e não como os escribas.
    Ora, encontrava-se na sinagoga um homem possuído de um Espírito impuro que exclamou gritando: “O que há entre ti e nós, Jesus de Nazaré? Você veio para nos destruir? Eu sei quem você é: é o santo de Deus!” Jesus, porém, falando-lhe com ameaça, disse-lhe: “Cala-te e sai desse homem!” Então o Espírito impuro saiu dele, agitando-se em violentas convulsões e soltando um forte grito.
    Todos ficaram tão surpresos que se perguntavam uns aos outros: “O que é isto? E que nova doutrina é esta? Ele ordena com autoridade, até mesmo aos Espíritos impuros, e eles o obedecem!” (Marcos, 1:21 a 27.)

    30. Depois que saíram, apresentaram-lhe um homem mudo, possuído pelo demônio. Tendo sido expulso o demônio, o mudo falou e o povo ficou tomado de admiração, e eles diziam: Jamais se viu coisa semelhante em Israel!
    Mas os fariseus diziam, ao contrário: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios!” (Mateus, 9: 32 a 34.)

    31. Quando chegou ao lugar onde estavam os outros discípulos, ele viu em torno destes uma grande multidão de pessoas e muitos escribas que com eles disputavam. Logo, percebendo a chegada de Jesus, todo o povo foi tomado de espanto e de temor; então correram e o saudaram.
    Ele então perguntou: “Pelo que estão disputando?” E um homem do meio do povo, tomando a palavra, respondeu-lhe: “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que está possesso de um Espírito mudo; e em todo lugar onde se apossa dele, atira-o por terra e o menino espuma, range os dentes e fica todo seco. Pedi a teus discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam.”
    Jesus lhe respondeu: “Ó gente incrédula! Até quando estarei com vocês? Até quando os suportarei? Traga-me o menino!” Trouxeram-no e antes que visse Jesus, o Espírito começa a agitá-lo violentamente; ele caiu no chão, onde se rolou espumando.
    Jesus perguntou ao pai do menino: “Desde quando isto acontece com ele?” O pai respondeu: “Desde a infância. E o Espírito muitas vezes o tem lançado ora à água, ora ao fogo, para fazê-lo perecer; mas se puder fazer alguma coisa, tenha compaixão de nós e nos socorra!”
    Respondeu-lhe Jesus: “Se puder crer, tudo é possível àquele que crê!” Logo, o pai do menino, banhado em lágrimas, exclamou: “Senhor, eu creio! Ajuda-me na minha incredulidade.”
    E Jesus, vendo que o povo acorria em multidão, falou com ameaça ao Espírito impuro, dizendo-lhe: “Espírito surdo e mudo: saia desse menino, eu te ordeno, e não entre mais nele!” Então esse Espírito saiu, soltando grande grito e agitando o menino em violentas convulsões, e o menino ficou como morto, de modo que muitos diziam que ele estava morto. Mas, Jesus tendo tomado as mãos do menino e segurando-o, levantou o menino.
    Quando Jesus entrou na casa, seus discípulos lhe perguntaram em particular: “Por que nós não pudemos expulsar aquele demônio?” Ele lhes explicou: “Os demônios desta espécie não podem ser expulsos por outro meio senão pela prece e pelo jejum.” (Marcos, 9:13 a 28.)

    32. Apresentaram-lhe então um possesso cego e mudo e ele o curou, de modo que aquele começou a falar e a ver. Todo o povo ficou repleto de admiração e dizia: “Não é este o filho de Davi?”
    Mas os fariseus, ouvindo isso, disseram: “Este homem não expulsa os demônios se não por virtude de Belzebu, príncipe dos demônios!”
    Ora, conhecendo os pensamentos deles, Jesus lhes disse: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa que se divide contra si mesma não pode subsistir. Se Satanás expulsa Satanás, ele está dividido contra si mesmo; como então o seu reino poderá sobreviver? E, se é por Belzebu que eu expulso os demônios, por quem seus filhos os expulsarão? Por isso eles serão os seus próprios juízes. Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é que o reino de Deus veio até vocês.” (Mateus, 12:22 a 28.)

    33. As libertações de possessos, como as curas, estão entre os atos mais numerosos de Jesus. Entre os fatos dessa natureza, há alguns (como os narrados aqui, no item 30) em que a possessão não é evidente. Provavelmente naquela época, como ainda hoje acontece, atribuía-se à influência dos demônios todas as enfermidades cuja causa não era conhecida — principalmente a mudez, a epilepsia e a catalepsia. Mas há outros em que da ação dos maus Espíritos não é duvidosa; eles têm uma semelhança tão marcante com aqueles dos quais somos testemunhas, que reconhecemos neles todos os sintomas desse gênero de afecção. A prova da participação de uma inteligência oculta nesse caso ressalta de um fato material: são as múltiplas curas radicais obtidas em alguns centros espíritas, apenas pela evocação e moralização dos Espíritos obsessores, sem magnetização ou medicamentos, e muitas vezes na ausência e à distância do paciente. A imensa superioridade do Cristo lhe dava uma autoridade tal sobre os Espíritos imperfeitos — chamados então demônios — que bastava ele ordenar para que se retirassem, porque eles não podiam resistir a essa imposição. (Cap. XIV, item 46.)

    34. O fato de maus Espíritos serem enviados para o corpo de porcos é contrário a todas as probabilidades. Seria difícil, aliás, explicar a presença de tão numerosa manada de suínos num país onde esse animal era abominado e sem utilidade para a alimentação. Um Espírito mau não deixa de ser um Espírito humano, conquanto ainda seja imperfeito o bastante para fazer o mal depois da morte, assim como o fazia anteriormente, e é contra as leis da natureza que ele possa animar o corpo de um animal; então, devemos ver aí um desses exageros comuns nos tempos de ignorância e de superstição; ou talvez uma alegoria para caracterizar os pendores imundos de certos Espíritos.

    35. Os obsediados e os possessos parecem ter sido bastante numerosos na Judeia, à época de Jesus, o que lhe deu ocasião de curar muitos deles. Sem dúvida os Espíritos maus haviam invadido aquele país e causado uma epidemia de possessões. (Cap. XIV, item 49.)
    Sem ser em estado epidêmico, as obsessões individuais são extremamente frequentes e se apresentam sob os mais variados aspectos que um conhecimento aprofundado do Espiritismo faria reconhecer facilmente; elas podem muitas vezes ter consequências danosas à saúde — seja agravando as infecções orgânicas, seja determinando-as. Um dia, elas serão incontestavelmente incluídas entre as causas patológicas que, pela sua natureza especial, requerem meios curativos especiais. Revelando a causa do mal, o Espiritismo abre um novo caminho à arte de curar e fornece à ciência o meio de triunfar aí onde ela muitas vezes fracassou somente por falta de atacar a causa essencial do mal (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII).

    36. Jesus era acusado pelos fariseus de expulsar os demônios pelos demônios; segundo eles, até o bem que Jesus fazia era obra de Satanás, sem refletir que Satanás expulsando a si mesmo praticaria um ato de insensatez. É notável que os fariseus de seu tempo já pretendessem que toda faculdade transcendente — e por esse motivo, reputada sobrenatural — fosse obra do demônio, pois, segundo eles, o próprio Jesus recebia seu poder daquele; esse é mais um ponto de semelhança com a época atual, e essa doutrina é aquela que ainda hoje a Igreja procura fazer prevalecer contra as manifestações espíritas.¹⁸¹


    Notas de Rodapé

    178 Cismático: relativo à cisma, discórdia, separação (por exemplo, por questão de crenças). De fato, entre os judeus e os samaritanos havia uma extrema cisma. — N. T.

    179 Ortodoxo: tradicional, rigoroso, intransigente em sua crença. — N. T.

    ¹⁸⁰ Para a lei judaica, o sétimo dia — sábado, ou sabbath — é o dia do descanso e recolhimento sagrado (porque, segundo os textos do Antigo Testamento, Deus descansou no sétimo dia da criação) sendo proibido qualquer tipo de trabalho, senão o mínimo para a subsistência e louvor a Deus. – N. T.

    ¹⁸¹ Todos os teólogos estão longe de professar opiniões tão absolutas sobre a doutrina demoníaca. Aqui está uma, de um eclesiástico da qual o clero não poderá contestar o valor. Encontramos a passagem seguinte nas Conferências sobre a religião, do Monsenhor Freyssinous, bispo de Hermópolis, tomo II, pág. 341, Paris, 1825: “Se Jesus tivesse operado seus milagres pela virtude do demônio, então o demônio teria trabalhado pela destruição do seu império e teria empregado o seu poder contra si próprio. Certamente, um demônio que procurasse destruir o reino do vício para estabelecer o da virtude seria um estranho demônio. Eis por que Jesus, para repelir a acusação absurda dos judeus, lhes dizia: ‘Se eu realizo prodígios em nome do demônio, o demônio está então dividido consigo mesmo; portanto, procura se destruir a si próprio’; resposta que não admite réplica.” É exatamente o argumento que os Espíritas opõem aos que atribuem ao demônio os bons conselhos que eles recebem dos Espíritos. O demônio agiria então como um ladrão profissional que restituísse tudo o que houvesse roubado e exortasse os outros ladrões a se tornarem pessoas honestas.

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