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    CAPÍTULO XII – Gênese mosaica [parte 2]

    • – PERDA DO PARAÍSO

    A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo

    PERDA DO PARAÍSO ¹²⁷

    13. CAPÍTULO II — 9. Ora, o Senhor Deus plantou desde o princípio um jardim delicioso, no qual pôs o homem que ele havia formado. – O Senhor Deus também havia produzido da terra todas as espécies de árvores belas à vista e cujo fruto era agradável ao paladar, e a árvore da vida no meio do paraíso¹²⁸, com a árvore da ciência do bem e do mal. (Ele, Jeová Eloim, fez sair da terra [min haadama] toda árvore bela de ser vista e boa para ser comida, e a árvore da vida [vehetz hachayim] no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal).

    15. O Senhor pegou então o homem e o colocou no paraíso de delícias, a fim de que o cultivasse e o guardasse. – 16. Deu-lhe também essa ordem, e lhe disse: Coma de todas as árvores do paraíso (Ele, Jeová Eloim, ordenou ao homem [hal haadam], dizendo: De qualquer árvore do jardim [hagan] tu podes comer.) – 17. Mas, não coma jamais do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, porque ao mesmo tempo que o comer, você morrerá com toda a certeza. (E da árvore da ciência do bem e do mal [oumehetz hadaat tob vara] não comerás, porque no dia que o comeres, tu morrerás.)

    14. CAPÍTULO III — 1. Ora, a serpente era o mais perspicaz de todos os animais que o Senhor Deus havia criado sobre a Terra. E ela disse à mulher: Por que Deus te ordenou não comer dos frutos de todas as árvores do paraíso? (E a serpente [nâhâsch] era mais astuta do que todos os animais terrestres que Jeová Eloim havia feito; ela disse à mulher [el haïscha]: Eis o que Eloim disse: Não comerás de nenhuma árvore do jardim?). – 2. A mulher lhe respondeu: Nós comemos dos frutos de todas as árvores que estão no paraíso. (Ela, a mulher, disse à serpente, do fruto [miperi] das árvores do jardim nós podemos comer.) – 3. Mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do paraíso, Deus nos ordenou que não comêssemos e nem o tocássemos, para não corrermos o perigo de morrer. – 4. A serpente retrucou à mulher: Seguramente vocês não morrerão; – 5. Mas é que Deus sabe que assim que tiverem comido desse fruto, seus olhos se abrirão e vocês serão como deuses, conhecendo o bem e o mal.

    6. A mulher considerou então que o fruto daquela árvore era bom de comer; que era belo e agradável à vista. E, tomando dele, ela o comeu e o deu ao seu marido, que também comeu dele. (Ela, a mulher, viu que ela era boa a árvore como alimento, e que era desejável a árvore para COMPREENDER [leaskil], e ela comeu de seu fruto etc.)

    8. E como se eles tivessem ouvido a voz do Senhor Deus, que passeava pelo paraíso à tarde, quando sopra um vento suave, eles se retiraram para o meio das árvores do paraíso para se ocultarem diante da sua face.

    9. Em seguida o Senhor Deus chamou Adão, e lhe disse: Onde você está? – 10. Adão lhe respondeu: Ouvi a tua voz no paraíso e tive medo, porque estava nu, eis por que me escondi. – 11. O Senhor lhe retrucou: E como soube que estava nu, senão por ter comido do fruto da árvore da qual eu os proibi de comer? – 12. Adão lhe respondeu: A mulher que me deu por companheira me apresentou o fruto dessa árvore, e eu comi dele. – 13. O Senhor Deus disse à mulher: Por que você fez isso? Ela respondeu: A serpente me enganou e eu comi desse fruto.

    14. Então o Senhor Deus disse à serpente: Por ter feito isso, você será maldita entre todos os animais e todas as bestas da terra; rastejará sobre o ventre e comerá terra por todos os dias de tua vida. – 15. Colocarei uma inimizade entre ti e a mulher, entre a raça dela e a tua. Ela te esmagará a cabeça e você tentará mordê-la no calcanhar.

    16. Deus disse assim à mulher: Eu te afligirei com muitos males durante tua gravidez; você parirá com dor; ficará sob a dominação de teu marido, e ele te dominará.

    17. Em seguida, disse a Adão: Por ter escutado a voz de tua mulher e ter comido do fruto da árvore de que eu proibi que vocês comessem, a terra será maldita por causa do que vocês fizeram e não tirarão dela com o que se alimentar durante toda a vida senão com trabalho. – 18. Ela lhes produzirá espinhos e sarças e vocês se alimentarão da erva da terra. – 19. E comerão seu pão com o suor do seu rosto até que voltem à terra de onde foram tirados, pois vocês são pó e ao pó voltarão.

    20. E Adão deu à sua mulher o nome de Eva, que significa a vida, porque ela era a mãe de todos os viventes.

    21. O Senhor Deus também fez para Adão e para sua mulher roupas de peles e os vestiu com elas. – 22. E disse: Eis que Adão se tornou como um de nós, sabendo o bem e o mal. Pois então, agora vamos impedir que ele estenda a sua mão à árvore da vida, que também tome do seu fruto e que, comendo desse fruto, ele viva eternamente. (Ele, Jeová Eloim, disse: Eis aí, o homem foi como um de nós para o conhecimento do bem e do mal; e agora ele pode estender a mão e tomar da árvore da vida [veata pen ischlach yado velakach mehetz hachayim]; ele comerá dela e viverá eternamente).

    23. O Senhor Deus o fez sair do jardim de delícias a fim de que fosse trabalhar no cultivo da terra de onde ele havia sido tirado. – 24. E, tendo-o expulsado, colocou querubins129 diante do jardim de delícias, os quais faziam brilhar uma espada de fogo, para guardar o caminho que conduzia à árvore da vida.

    15. Sob uma imagem infantil e às vezes ridícula — se nos prendermos à forma — a alegoria frequentemente oculta as maiores verdades. À primeira vista, haverá fábula mais absurda do que aquela de Saturno, um deus devorando pedras que ele toma como seus filhos? Mas, ao mesmo tempo, o que há de mais profundamente filosófico e verdadeiro do que essa figura, quando procuramos nela o sentido moral! Saturno é a personificação do tempo; sendo todas as coisas obra do tempo, ele é o pai de tudo o que existe, mas tudo também se destrói com o tempo. Saturno devorando pedras é o símbolo da destruição pelo tempo dos corpos mais duros, que são seus filhos, pois eles são formados com o tempo. E, segundo essa mesma alegoria, quem escapa dessa destruição? Júpiter, o símbolo da inteligência superior, do princípio espiritual que é indestrutível. Essa imagem é mesmo tão natural que, na linguagem moderna, sem alusão à Fábula antiga, assim se diz de uma coisa deteriorada a longo prazo, que ela é devorada pelo tempo, gasta, devastada pelo tempo.
    Na realidade, toda a mitologia pagã não é mais do que um vasto quadro alegórico das diversas faces — boas e más — da humanidade. Para quem busca o seu sentido, é um curso completo da mais alta filosofia, como acontece com as fábulas modernas. O absurdo era tomar a forma pela essência.

    16. Ocorre o mesmo com a Gênesis, na qual precisamos ver grandes verdades morais debaixo das figuras materiais que, presas à letra, seriam tão absurdas como se, em nossas fábulas, tomássemos em sentido literal as cenas e os diálogos atribuídos aos animais.
    Adão é a personificação da humanidade; sua falta individualiza a fraqueza do homem, em quem predominam os instintos materiais aos quais não sabe resistir.¹³⁰
    A árvore, como árvore de vida, é o símbolo da vida espiritual; como árvore da ciência é a da consciência do bem e do mal que o homem adquire pelo desenvolvimento da sua inteligência e do seu livre-arbítrio em virtude do qual ele escolhe entre um e outro; assinala o ponto em que a alma do homem — deixando de ser guiada unicamente pelos seus instintos — toma posse da sua liberdade e passa a ter responsabilidade pelos seus atos.
    O fruto da árvore é o emblema do objeto dos desejos materiais do homem; é a alegoria da cobiça e da concupiscência; ele resume numa única figura os motivos do arrastamento ao mal; comer esse fruto significa cair na tentação. Ele cresce no meio do jardim de delícias para mostrar que a sedução está no próprio seio dos prazeres, e para lembrar que, se o homem dá preponderância aos gozos materiais, ele se prende à Terra e se afasta do seu destino espiritual.¹³¹
    A morte de que ele é ameaçado — caso transgrida a proibição que se faz a ele — é uma advertência das inevitáveis consequências físicas e morais que decorrem da violação das leis divinas que Deus gravou na sua consciência. É bastante evidente que aqui não se trata da morte corporal, pois que, depois de sua falta, Adão viveu ainda longo tempo, mas sim da morte espiritual, dita por outras palavras da perda dos bens que resultam do adiantamento moral, perda da qual sua expulsão do jardim de delícias é a imagem.

    17. A serpente de hoje está longe de passar pelo tipo da astúcia; consta aqui, portanto, mais por referência à sua forma do que pelo seu caráter, uma alusão à perfídia dos maus conselhos que se insinuam como a serpente, e da qual, por essa razão, muitas vezes não se desconfia dela. Além do mais, por haver enganado a mulher, se a serpente é que foi condenada a rastejar sobre o ventre, isso poderia dizer que antes ela tinha pernas — e aí neste caso não seria uma serpente. Por que então se há de impor à fé ingênua e crédula das crianças, como se fossem verdades, alegorias tão evidentes e que, falseando seu juízo, mais tarde se faz que elas olhem a Bíblia como um emaranhado de fábulas absurdas?
    Além do mais, é preciso observar que o termo hebreu nâhâsch, traduzido pela palavra serpente, vem da raiz nâhâsch, que significa: fazer encantamentos, adivinhar as coisas ocultas, e pode significar: encantador, adivinho. Nós o encontramos com esta acepção na Gênesis, capítulo 44, versículos 5 e 15, a propósito da taça que José mandou esconder no saco de Benjamim: “A taça que vocês roubaram é aquela na qual meu Senhor bebe, e da qual ele se serve para adivinhar (nâhâsch)¹³². Ignoram que não há quem me iguale na ciência de adivinhar (nâhâsch)?” No livro Números, capítulo 23, versículo 23: “Não há encantamentos (nâhâsch) em Jacó, nem adivinhos em israel.” Daí, a palavra nâhâsch tomou também a significação de serpente, réptil que os encantadores tinham a pretensão de encantar, ou de que eles se serviam em seus encantamentos.
    Apenas na versão da Septuaginta¹³³ — escrita em grego, antes do segundo século da Era Cristã, e que, segundo Hutcheson¹³⁴, corrompeu o texto hebreu em muitos trechos — que a palavra nâhâsch foi traduzida por serpente. As inexatidões dessa versão indubitavelmente resultaram das modificações que a língua hebraica havia sofrido nesse intervalo; pois o hebreu do tempo de Moisés era uma língua morta, que diferia do hebreu comum, tanto quanto o grego antigo e o árabe literário diferem do grego e do árabe modernos.¹³⁵
    É provável, pois, que Moisés tenha ouvido, por sedutor da mulher, o desejo indiscreto de conhecer as coisas ocultas, suscitado pelo Espírito de adivinhação, o que concorda com o sentido primitivo da palavra nâhâsch, adivinhar; e, por outro lado, com estas palavras: “Deus sabe que tão logo tenham comido desse fruto, vossos olhos se abrirão e vocês serão como deuses. Ela, a mulher, viu que era cobiçável a árvore para compreender (léaskil) e ela tomou do seu fruto.” Não se deve esquecer que Moisés queria proibir os hebreus de praticar a arte da adivinhação ao modo dos egípcios, e a prova disso na sua defesa de interrogar os mortos e o Espírito de Píton. (O céu e o Inferno segundo o Espiritismo, cap. XI.¹³⁶)

    18. A passagem onde está dito que “O Senhor passeava pelo jardim à tarde, quando se levanta um vento suave” é uma imagem ingênua e um tanto pueril que a crítica não deixou de salientar; mas ela nada tem que deva surpreender se nos reportamos à ideia que os hebreus dos tempos primitivos faziam da Divindade. Para aquelas inteligências brutas, incapazes de conceber abstrações, Deus devia ter uma forma concreta e eles relacionavam tudo com a humanidade, como único ponto conhecido. Moisés lhes falava então como que a crianças, por meio de imagens sensíveis. No caso em questão, era a potência soberana personificada, como os pagãos personificavam, em figuras alegóricas, as virtudes, os vícios e as ideias abstratas. Mais tarde, os homens despojaram a ideia da forma, como a criança que se tornou adulta procura o sentido moral dos contos com os quais foram acalentadas. Deve-se considerar essa passagem, portanto, como uma alegoria da própria Divindade vigiando os objetos da sua criação. O grande rabino Wogue137 a traduziu assim: “Eles ouviram a voz do Eterno Deus percorrendo o jardim, do lado de onde vem o dia.”

    19. Se o erro de Adão foi literalmente ter comido um fruto, pela sua natureza quase pueril, esse erro incontestavelmente, não poderia justificar o rigor com que foi punido. Nem seria racionalmente mais admissível que o fato seja como geralmente se supõe; doutra forma, considerando esse erro como um crime irremissível, Deus teria condenado sua própria obra, já que ele teria criado o homem para a propagação. Se Adão tivesse escutado nesse sentido a proibição de tocar no fruto da árvore e se o tivesse cumprido rigorosamente, onde estaria a humanidade e o que teria sido feito dos desígnios do Criador?
    Deus não havia criado Adão e Eva para ficarem sozinhos na Terra, e a prova disso está nas próprias palavras que dirige a eles imediatamente após a sua criação, quando eles ainda estavam no paraíso terrestre: “Deus os abençoou e lhes disse: Cresçam e se multipliquem, encham a terra e a submetam a vocês.” (Gênesis, 1:28). Já que a multiplicação do homem era uma lei desde o paraíso terreno, a expulsão deles não pode ter sido por causa do fato suposto.
    O que deu crédito a essa suposição foi o sentimento de vergonha que Adão e Eva manifestaram ante o olhar de Deus e que os levou a se esconderem. Mas essa mesma vergonha é uma figura para comparação: ela simboliza a confusão que todo culpado experimenta na presença daquele a quem ofendeu.

    20. Então, definitivamente, qual é o erro tão grande que mereceu acarretar a reprovação perpétua de todos os descendentes daquele que o cometeu? Caim, o fratricida138, não foi tratado tão severamente. Nenhum teólogo pode defini-lo logicamente, porque todos — não saindo da letra — têm girado dentro de um círculo vicioso.
    Hoje sabemos que aquele erro não é um ato isolado e pessoal de um indivíduo, mas que, sob um fato simbólico único, envolve o conjunto das irresponsabilidades de que a humanidade da Terra — que ainda é imperfeita — mal pode ser culpada, e que se resumem nestas palavras: infração da lei de Deus. Por isso que o erro do primeiro homem — simbolizando a humanidade — é simbolizado em si mesmo por um ato de desobediência.

    21. Ao dizer a Adão que ele tiraria da terra sua alimentação com o suor de seu rosto, Deus simboliza a obrigação do trabalho; mas por que ele fez do trabalho uma punição? Que seria da inteligência do homem, se ele não a desenvolvesse através do trabalho? Que seria da Terra, se ela não fosse fecundada, transformada e saneada pelo trabalho inteligente do homem?
    Lá está dito (Gênesis, 2:5 e 7): “O Senhor Deus ainda não havia feito chover sobre a terra, e não havia nela homens que a cultivassem. Então o Senhor formou o homem do barro da terra”. Essas palavras, relacionadas com estas: Encham a terra, provam que o homem, desde a sua origem, estava destinado a ocupar toda a Terra e a cultivá-la; além do demais, que o paraíso não era um lugar circunscrito a um canto do globo. Se a cultura da terra devesse ser uma consequência do erro de Adão, ocorreria que, se Adão não tivesse pecado, a Terra não teria sido cultivada e os desígnios de Deus não teriam sido cumpridos.
    Por que ele disse à mulher que, por ela ter cometido tal erro, ela iria parir com dor? Como a dor do parto pode ser um castigo, se é um efeito do organismo, e que já está provado fisiologicamente que é uma necessidade? Como uma coisa que se produz segundo as leis da natureza pode ser punição? É o que os teólogos ainda não explicaram e que não poderão explicar enquanto não abandonarem o ponto de vista em que se colocaram; todavia, essas palavras — que parecem tão contraditórias — podem ser justificadas.

    22. Antes de tudo, notemos que, no momento da criação de Adão e Eva, se suas almas tivessem sido tiradas do nada, como alguns ensinam, eles deveriam ser novatos em todas as coisas; não deveriam saber o que é morrer. Como estavam sozinhos na Terra, enquanto viviam no paraíso terrestre, não tinham visto ninguém morrer; como então eles teriam podido compreender em que consistia a ameaça de morte que Deus lhes fizera? Como Eva teria compreendido que parir com dor seria uma punição, visto que, tendo acabado de nascer para a vida ela jamais tivera filhos e era a única mulher existente no mundo?
    As palavras de Deus, portanto, não faziam nenhum sentido para Adão e Eva. Recentemente surgidos do nada eles não podiam saber nem por que nem como tinham surgido ali; não podiam compreender nem o Criador nem o motivo da proibição que ele lhes havia dado. Sem nenhuma experiência das condições da vida, eles pecaram como crianças que agem sem discernimento, o que torna ainda mais incompreensível a terrível responsabilidade que Deus fez pesar sobre eles e sobre toda a humanidade.

    23. O que é um impasse para a teologia, o Espiritismo explica sem dificuldade e de maneira racional pela anterioridade da alma e pluralidade das existências, lei sem a qual tudo é mistério e anormalidade na vida do homem. Com efeito, admitindo que Adão e Eva já tivessem vivido, tudo se acha justificado: Deus não lhes fala como que a crianças, mas como a seres em condições de compreendê-lo e que o compreendem — prova evidente de que tinham aquisições anteriores. E mais, vamos admitir que eles tenham vivido em um mundo mais adiantado e menos material do que o nosso, onde o trabalho do Espírito substituía o trabalho do corpo; que por sua rebeldia contra a lei de Deus — simbolizada na desobediência — tenham sido excluídos de lá e como punição forma exilados na Terra, onde, pela natureza do globo, o homem é constrangido a um trabalho corporal; Deus tinha razão de lhes dizer: No mundo onde vão viver doravante, “vocês cultivarão a terra e parirá com dor”, porque essa é a condição desse mundo (Cap. XI, itens 31 e seguintes).
    O paraíso terrestre — cujos vestígios têm sido inutilmente procurados na Terra — era então a figura do mundo feliz onde Adão vivera, ou antes, a raça dos Espíritos de que ele é a personificação. A expulsão do paraíso marca o momento em que esses Espíritos vieram encarnar entre os habitantes desse mundo e a mudança de situação que foi a consequência dessa expulsão. O anjo armado com uma espada flamejante, que defende a entrada do paraíso, simboliza a impossibilidade na qual estão os Espíritos dos mundos inferiores de penetrar nos mundos superiores, antes de o terem merecido pela sua purificação. (Ver adiante o cap. XIV, itens 8 e seguintes).

    24. Caim (após a morte de Abel) responde ao Senhor: Minha iniquidade é grande demais para poder obter o perdão. O Senhor hoje me expulsa da superfície da Terra e eu irei me esconder da sua face. Serei fugitivo e vagabundo sobre a Terra e então qualquer um que me encontrar me matará. – O Senhor lhe respondeu: Não, isto não se dará, porque quem matar Caim será punido muito severamente. E o Senhor pôs um sinal sobre Caim, a fim de que aqueles que o encontrassem não o matassem.
    Tendo-se retirado de diante do Senhor, Caim tornou-se vagabundo sobre a Terra e habitou a região oriental do Éden. E tendo conhecido sua mulher, ela concebeu e pariu Enoque. Em seguida, ele construiu (vaïehi boné; literalmente: estava construindo) uma cidade a qual chamou Enóquia (Enochia) do nome de seu filho (Gênesis, 4:13-16).

    25. Se nos apegarmos à letra da Gênesis, aqui estão as consequências a que chegaremos: Adão e Eva eram os únicos no mundo após a sua expulsão do paraíso terrestre; só posteriormente eles tiveram os dois filhos Caim e Abel. Ora, Caim — tendo matado seu irmão e se retirado para outra região — não tornou a ver seu pai e sua mãe, que de novo ficaram a sós; foi somente muito tempo depois, na idade de cento e trinta anos, que Adão teve um terceiro filho, chamado Set. Após o nascimento de Set — segundo a genealogia bíblica — ele ainda viveu oitocentos anos, e teve mais filhos e filhas.
    Quando Caim foi se estabelecer ao oriente do Éden, não havia na Terra mais que três pessoas: seu pai e sua mãe, e ele, sozinho no seu canto. Entretanto, Caim teve mulher e um filho; que mulher poderia ser essa e onde ele pôde desposá-la? O texto hebreu diz: Ele estava construindo uma cidade; e não ele construiu uma cidade, o que indica uma ação presente e não anterior; porém, uma cidade pressupõe habitantes, pois não é de se presumir que Caim a fizesse para si, sua mulher e seu filho, nem que ele pudesse tê-la construído sozinho.
    Portanto, devemos inferir desse referido relato que a região era povoada; ora, não podia ser pelos descendentes de Adão, pois não havia ninguém além de Caim.
    A presença de outros habitantes ressalta igualmente destas palavras de Caim: “Serei fugitivo e vagabundo e quem quer que me encontre me matará”, e da resposta que Deus lhe deu. De quem ele poderia temer ser morto e que utilidade teria o sinal que Deus lhe pôs para preservá-lo, se ele não iria encontrar ninguém? Ora, se havia na Terra outros homens fora a família de Adão, então é que eles já estavam ali antes dele; daí vem esta consequência, tirada do mesmo texto da Gênesis: Adão não é nem o primeiro nem o único pai do gênero humano (Cap. XI, item 34).¹³⁹

    26. Faltavam os conhecimentos que o Espiritismo trouxe acerca das relações do princípio espiritual com o princípio material, sobre a natureza da alma, da sua criação em estado de simplicidade e de ignorância, da sua união com o corpo, da sua indefinida marcha progressiva através de sucessivas existências e através dos mundos, que são outros tantos degraus na senda do aperfeiçoamento, acerca da sua gradual emancipação da influência da matéria, pelo uso do seu livre-arbítrio, da causa dos seus bons ou maus pendores e de suas aptidões, do fenômeno do nascimento e da morte, do estado do Espírito na erraticidade e, finalmente, do futuro que é o prêmio de seus esforços por se melhorar e da sua perseverança no bem, para lançar a luz sobre todas as partes da Gênese espiritual.
    Graças a essa luz, o homem de agora em diante sabe de onde vem, para onde vai, por que está na Terra e por que sofre; ele sabe que o seu futuro está em suas mãos, e que a duração do seu cativeiro aqui embaixo depende dele. A Gênese, despida da alegoria acanhada e mesquinha, apresenta-se para ele grande e digna da majestade, da bondade e da justiça do Criador. Considerada desse ponto de vista, a Gênese confundirá a incredulidade e a derrotará.


    Notas de Rodapé

    127 Em seguida a alguns versículos, nós colocamos a tradução literal do texto hebreu, que expressa mais fielmente o pensamento primitivo. O sentido alegórico ressalta assim mais claramente.

    128 Paraíso, do latim paradisus, derivado do grego: paradeisos, jardim, vergel, lugar plantado de árvores. O termo hebreu empregado na Gênese é hagan, que tem a mesma significação.

    129 Do hebreu cherub, keroub, boi; e, charab, lavrar. Anjos do segundo coro da primeira hierarquia, que são representados com quatro asas, quatro faces e pés de boi.

    130 Hoje está bem reconhecido que a palavra hebraica haadam não é um nome próprio, mas que significa o homem em geral, a humanidade, que destrói toda a estrutura construída sobre a personalidade de Adão.

    131 Em nenhum texto o fruto está especificado pela maçã; essa palavra só é encontrada nas versões infantis. O termo do texto hebreu é peri, que tem as mesmas acepções que em francês, sem determinação de espécie, e pode ser tomado em sentido material, moral, alegórico, em sentido próprio e figurado. Para os israelitas, não há interpretação obrigatória; quando uma palavra tem muitas acepções, cada um a entende como queira, contanto que a interpretação não seja contrária à gramática. A palavra peri foi traduzida em latim por malum, que se aplica tanto à maçã como a qualquer espécie de fruto. Deriva do grego melon, particípio do verbo melo, interessar, cuidar, atrair.

    132 Deste fato se poderá pensar que a mediunidade pelo copo de água seria conhecida dos egípcios? ( junho de 1868.)

    133 Septuaginta, ou Versão dos Setenta, é a mais antiga versão da Bíblia hebraica traduzida para o grego coiné entre os séculos III e I a.C. em Alexandria, Egito, a qual serviu de base para outras diversas traduções. É assim chamada por conta dos relatos (que os estudiosos atuais consideram fictícios) de que essa versão teria ficado pronto em cerca de setenta dias, graças ao esforço de cerca de setenta eruditos judeus. — N. T.

    134 Francis Hutcheson (1694-1746) foi renomado um teólogo e filósofo finlandês, conhecido pelas suas teses sobre ética e defesa do progresso comum, rompendo com o puritanismo e abrindo uma visão religiosa mais liberal e moderna, influenciando outros grandes pensadores, como o filósofo e economista Adam Smith, que foi seu aluno. — N. T.

    135 A palavra nâhâsch existia na língua egípcia, com a significação de negro, provavelmente porque os negros tinham o dom dos encantamentos e da adivinhação. Talvez também por isso é que as esfinges (de origem assíria) eram representadas por uma figura de negro.

    136 Na versão original, esta indicação aponta para o capítulo XII, mas o referido capítulo na verdade é o XI, da primeira parte, intitulado ‘Da proibição de evocar os mortos’, da obra O Céu e o Inferno, — N. T.

    137 Lazare Wogue (1817-1897): francês de origem judaica, dito o grande rabino Éléazar. — N. T.

    138 Fratricida: aquele que mata o seu irmão ou sua irmã (Caim é assim intitulado por ter assassinado seu irmão Abel) – N. T.

    139 Essa ideia não é nova. La Peyrère, sábio teólogo do século XVII, em seu livro escrito em latim e publicado em 1655, extraiu do texto original da Bíblia — adulterado pelas traduções — a prova evidente de que a Terra era habitada antes da vinda de Adão. Essa opinião é hoje a de muitos eclesiásticos esclarecidos.

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