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    CAPÍTULO XIV – Os Fluidos [parte 3]

    • II. EXPLICAÇÃO DE ALGUNS FENÔMENOS REPUTADOS SOBRENATURAIS
    • – Aparições; Transfigurações
    • – Manifestações físicas; Mediunidade
    • – Obsessões e possessões

    A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo

    EXPLICAÇÃO DE ALGUNS FENÔMENOS REPUTADOS SOBRENATURAIS

    Aparições – Transfigurações

    35. O perispírito no seu estado normal é invisível para nós; mas como ele é formado de matéria etérea, em certos casos o Espírito pode — por ato da sua vontade — fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torne momentaneamente visível. É assim que são produzidas as aparições, que, mais do que os outros fenômenos, não estão fora das leis da Natureza. Este fenômeno não tem nada de mais extraordinário do que o do vapor, que é invisível quando muito rarefeito, mas que se torna visível quando está condensado.
    Dependendo do grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; de outras vezes, é mais nitidamente definida; mas enfim, algumas vezes ela tem todas as aparências da matéria tangível; pode até chegar até a tangibilidade real, ao ponto de alguém se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si.
    As aparições vaporosas são frequentes e acontece bastante que indivíduos, após sua morte, se apresentem assim às pessoas a quem são afeiçoados. As aparições tangíveis são mais raras, embora haja numerosíssimos exemplos delas, perfeitamente autenticados. Se o Espírito quer ser reconhecido, ele imprime no seu envoltório todos os sinais exteriores que tinha quando vivo.¹⁶⁶

    36. É de se destacar que as aparições tangíveis tenham somente as aparências da matéria carnal, mas não tenha as qualidades dela; em razão da sua natureza fluídica, elas não podem ter a mesma coesão, pois, na realidade, isso não é da carne. Elas se formam instantaneamente e do mesmo modo desaparecem, ou se evaporam, pela desagregação das moléculas fluídicas. Os seres que se apresentam nessas condições não nascem e nem morrem como os outros homens; nós os vemos e não os vemos mais sem sabermos de onde eles vêm, como vieram, nem para onde vão; ninguém poderia matá-los, nem os acorrentar ou aprisioná-los, pois eles não têm um corpo carnal; os golpes que lhes fossem desferidos só atingiriam o vazio.
    Tal é a característica dos agêneres¹⁶⁷, com os quais podemos conversar sem suspeitar do que sejam eles, mas que não demoram longo tempo e não podem se tornar convivas habituais de uma casa, nem figurar entre os membros de uma família.
    Há, aliás, em toda a sua pessoa e nas suas atitudes, algo de estranho e de insólito que vem ao mesmo tempo da materialidade e da espiritualidade; seu olhar vaporoso, e penetrando tudo de uma vez, não tem a nitidez do olhar através dos olhos da carne; sua linguagem breve e quase sempre sentenciosa nada tem da claridade e da mobilidade da linguagem humana; a aproximação deles causa uma sensação incomum indefinível de surpresa que inspira uma espécie de temor, e, enquanto os tomando por indivíduos iguais a todo mundo, diz-se involuntariamente: Eis aí um ser estranho.¹⁶⁸

    37. Como o perispírito é o mesmo tanto nos encarnados como nos desencarnados, por um efeito completamente idêntico, um Espírito encarnado pode aparecer, num momento de liberdade¹⁶⁹, em ponto diferente do lugar onde seu corpo repousa, com seus traços habituais e com todos os sinais de sua identidade. Foi esse fenômeno, do qual se conhecem muitos exemplos autênticos, que deu origem à crença nos homens duplos.¹⁷⁰

    38. Um efeito particular a esses tipos de fenômenos é que as aparições vaporosas e até tangíveis não são perceptíveis indistintamente por todo mundo; os Espíritos não se mostram senão quando e a quem eles querem. Então um Espírito poderia aparecer numa assembleia a um ou a vários dos presentes e não ser visto pelos demais. Isso acontece porque as percepções desse gênero se efetuam por meio da vista espiritual, e não pela vista carnal: porque não só a vista espiritual não é dada a toda mundo, como também, se for conveniente, pode ser retirada daquele a quem ele não queira se mostrar, assim como pode permiti-la momentaneamente, se a julgar necessário.
    A condensação do fluido perispiritual nas aparições — incluindo as de tangibilidade — não contém as propriedades da matéria comum: se não fosse assim, as aparições, sendo perceptíveis pelos olhos do corpo, seriam visíveis para todas as pessoas presentes.¹⁷¹

    39. Podendo o Espírito operar transformações na textura do seu envoltório perispiritual, e esse envoltório irradiando em torno do corpo qual uma atmosfera fluídica, um fenômeno semelhante ao das aparições pode se produzir até na superfície do corpo. Sob a camada fluídica, a imagem real do corpo pode se apagar mais ou menos completamente e se revestir de outra aparência; ou então, vistos através da camada fluídica modificada como através de um prisma, os traços originais podem tomar outra expressão. Se, saindo do meio comum, o Espírito se identifica com as coisas do mundo espiritual, a expressão de um semblante feio pode tornar-se bela, radiosa e às vezes até luminosa; se, ao contrário, o Espírito é movido por más paixões, uma figura bela pode tomar um aspecto horrendo.
    É assim que se operam as transfigurações, que são sempre um reflexo das qualidades e sentimentos predominantes do Espírito. O fenômeno é então o resultado de uma transformação fluídica; é uma espécie de aparição perispiritual que se produz sobre o próprio corpo do vivo e algumas vezes no momento da morte, em lugar de se produzir ao longe, como nas aparições propriamente ditas. O que distingue as aparições desse gênero é o fato de geralmente serem perceptíveis por todos os assistentes e com os olhos do corpo, exatamente porque elas têm por base a matéria carnal visível, ao passo que nas aparições puramente fluídicas não há matéria tangível.¹⁷²

    Manifestações físicas – Mediunidade

    40. Os fenômenos das mesas girantes e falantes, da suspensão etérea de corpos pesados, da escrita mediúnica — tão antigos quanto o mundo, porém tão comuns hoje — nos dão a chave de alguns fenômenos parecidos e espontâneos aos quais, na ignorância da lei que os rege, era atribuído o caráter sobrenatural e miraculoso. Esses fenômenos se fundamentam nas propriedades do fluido perispiritual — seja dos encarnados, seja dos Espíritos livres.

    41. É com a ajuda do seu perispírito que o Espírito atuava sobre o seu corpo vivo; é ainda com esse mesmo fluido que ele se manifesta agindo sobre a matéria inerte e que produz os ruídos, os movimentos de mesa e de outros objetos que ele levanta, derruba ou transporta. Esse fenômeno não tem nada de surpreendente se considerarmos que entre nós os mais possantes motores se encontram nos fluidos mais rarefeitos e até imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade.
    É igualmente com a ajuda do seu perispírito que o Espírito faz os médiuns escreverem, falarem e desenharem; não tendo mais corpo físico para agir ostensivamente quando quer se manifestar, ele se serve do corpo do médium, de quem toma emprestado os órgãos, que faz agir como se fosse o seu próprio corpo, mediante a emissão fluídica que despeja sobre ele.

    42. Por esse mesmo processo é que o Espírito age sobre a mesa, seja para fazê-la se mover sem significação determinada, seja para que dê pancadas inteligentes indicando letras do alfabeto, para formar palavras e frases — fenômeno esse denominado tiptologia. Aqui a mesa não é mais do que um instrumento de que o Espírito se serve, como ele utiliza o lápis para escrever; ele lhe dá uma vitalidade momentânea por meio do fluido que o penetra, mas não se identifica com o lápis. As pessoas que — na sua emoção, ao verem um ente querido se manifestar — abraçam a mesa, praticam um ato ridículo, pois é exatamente como se abraçassem a bengala de que um amigo se sirva para bater no chão. O mesmo fazem aqueles que dirigem a palavra à mesa, como se o Espírito estivesse confinado na madeira, ou como se a madeira tivesse se tornado Espírito.
    Quando as comunicações são transmitidas por esse meio, devemos imaginar o Espírito, não na mesa, mas ao lado, tal qual ele estaria se estivesse vivo e tal como seria visto, se nesse momento ele pudesse se tornar visível. A mesma coisa acontece nas comunicações pela escrita: veríamos o Espírito ao lado do médium, dirigindo-lhe a mão ou lhe transmitindo seu pensamento por uma corrente fluídica.

    43. Quando a mesa se destaca do solo e flutua no espaço sem ponto de apoio, o Espírito não a ergue com a força de um braço, mas a envolve e a penetra com uma espécie de atmosfera fluídica que neutraliza o efeito da gravidade, como o ar faz com os balões e pipas. O fluido que se infiltra na mesa lhe dá momentaneamente uma leveza específica maior. Quando ela fica pregada ao solo, ela fica numa situação igual à da bolsa de oxigênio sob a qual se fez o vácuo. Não há aqui mais do que simples comparações para mostrar a analogia dos efeitos e não a semelhança absoluta das causas (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. IV).
    A partir disso, compreendemos que não é mais difícil para o Espírito levantar uma pessoa do que levantar uma mesa, de transportar um objeto de um lugar para outro, ou de atirá-lo a qualquer parte; esses fenômenos se produzem pela mesma lei.¹⁷³
    Quando a mesa persegue alguém, não é o Espírito que corre, pois ele pode ficar tranquilamente no mesmo lugar, mas ele dá a ela o impulso por uma corrente fluídica com a ajuda do qual faz a mesa mover ao gosto dele.
    Quando as pancadas são ouvidas na mesa ou outros lugares, o Espírito não bate nem com a mão nem com um objeto qualquer; ele apenas dirige um jato de fluido sobre o ponto de onde vem o ruído e este produz o efeito de um choque elétrico. Ele modifica o ruído como nós modificamos os sons produzidos pelo ar.¹⁷⁴

    44. Um fenômeno muito frequente na mediunidade é a aptidão de certos médiuns para escrever em uma língua que é estranha para eles; para tratar, oralmente ou por escrito, de assuntos que estão fora do alcance da sua instrução. Não é raro se vê que escrevam correntemente sem terem aprendido a escrever; de outros que compõem poesias sem jamais na vida terem sabido fazer um verso; de outros que desenham, pintam, esculpem, compõem música, tocam um instrumento, sem conhecerem desenho, pintura, escultura, ou a arte musical. É muito frequente que um médium escrevente reproduza, sem equívocos, a grafia e a assinatura que os Espíritos que por ele se comunicam tinham quando vivos, ainda que não os tenham conhecido.
    Esse fenômeno não é mais espantoso do que ver uma criança escrever quando guiamos a sua mão; podemos assim lhe fazer executar tudo o que queiramos. Podemos fazer com o primeiro a chegar que escreva num idioma qualquer lhe ditando as palavras letra por letra. Compreende-se que possa acontecer o mesmo com a mediunidade, se nos referirmos à maneira como os Espíritos se comunicam com os médiuns, que na realidade não são para eles mais do que instrumentos passivos. Todavia, se o médium tem o mecanismo, se venceu as dificuldades práticas, se as expressões lhe são familiares, se, finalmente, possui no cérebro os elementos daquilo que o Espírito quer fazê-lo executar, ele se acha na posição do homem que sabe ler e escrever correntemente; o trabalho se torna mais fácil e mais rápido; o Espírito não precisa mais do que transmitir seus pensamentos e o seu intérprete reproduz pelos meios de que dispõe.
    A aptidão de um médium para coisas que lhe são estranhas também vem frequentemente dos conhecimentos que ele possuiu noutra existência e dos quais seu Espírito conservou a intuição. Se, por exemplo, ele foi poeta ou músico, terá mais facilidade para assimilar o pensamento poético ou musical que queira reproduzir. A língua que ele hoje ignora pode ter sido familiar para ele noutra existência: daí vem para ele uma aptidão maior para escrever mediunicamente nessa língua.¹⁷⁵

    Obsessões e possessões

    45. Os Espíritos maus espalham-se ao redor da Terra por causa da inferioridade moral dos seus habitantes. A ação maldosa deles é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade aqui se vê abraçada. A obsessão — que é um dos efeitos dessa ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida — deve ser considerada como uma provação ou uma expiação e aceita como tal.
    A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Ela apresenta características muito diferentes, desde a simples influência moral sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das capacidades mentais. Ela bloqueia todas as aptidões mediúnicas; na mediunidade auditiva e psicográfica, ela se traduz pela teimosia de um Espírito em se manifestar com exclusão de todos os outros.

    46. Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral que dá ensejo a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral, é preciso uma força moral. Para se preservar das enfermidades, fortifica-se o corpo; para se garantir contra a obsessão, é preciso fortalecer a alma; daí, para o obsediado, a necessidade de trabalhar para o seu próprio melhoramento, o que muitas vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de outras pessoas. Esse socorro se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente muitas vezes perde a sua vontade e o seu livre-arbítrio.
    A obsessão é quase sempre uma vingança praticada por um Espírito e cuja fonte frequentemente vem das relações que o obsidiado manteve com o obsessor em uma existência anterior.
    Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolvido e impregnado de um fluido pernicioso que neutraliza e repele a ação dos fluidos saudáveis. É desse fluido pernicioso de que se precisa se desembaraçar; ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro fluido igualmente mau. Por uma ação idêntica à do médium curador nos casos de enfermidade, é preciso expulsar um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.
    Essa é a ação magnética, mas que nem sempre basta; é necessário também — e sobretudo — agir sobre o ser inteligente, ao qual é preciso ter a prerrogativa de falar com autoridade, e essa autoridade só é dada à superioridade moral; quanto maior for esta superioridade, tanto maior será a autoridade.
    Mas ainda não é tudo: para assegurar a libertação, é indispensável levar o Espírito perverso a renunciar aos seus maus costumes; é preciso fazer brotar nele o arrependimento e o desejo do bem, por auxílio de instruções habilmente dirigidas, em evocações particularmente feitas com o objetivo de sua educação moral; pode-se então ter a dupla satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito.
    A tarefa se torna mais fácil quando o obsidiado — compreendendo a sua situação — dá sua contribuição com a vontade e a prece; isso não acontece quando o obsidiado, seduzido pelo Espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades do seu dominador e se deleita no erro em que este o mergulha, porque então, longe de ajudar, ele repele toda a assistência. É o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII).
    Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxílio para agir contra o Espírito obsessor.

    47. Na obsessão, o Espírito age exteriormente com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com aquele do encarnado; este último fica enlaçado por uma espécie de teia e constrangido a agir contra a sua vontade.
    Na possessão, em vez de agir exteriormente, por assim dizer, o Espírito livre substitui o Espírito encarnado; toma o seu corpo como domicílio sem que, no entanto, o encarnado abandone seu corpo definitivamente — o que só acontece na morte. Portanto, a possessão é sempre temporária e intermitente, pois um Espírito desencarnado não pode tomar e ocupar definitivamente o lugar de um Espírito encarnado, visto que a união molecular entre o perispírito e o corpo não pode se efetivar senão no momento da concepção. (Cap. XI, item 18.)
    Na posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito se serve dele como se fosse o seu: fala pela boca dele, vê pelos seus olhos e age com seus braços conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um desencarnado; é este último mesmo quem fala e quem age, e quem o tiver conhecido em vida reconhecerá nele a sua linguagem, a sua voz, os seus gestos e até a expressão da fisionomia.

    48. A obsessão é sempre o ato de um Espírito malfeitor. A possessão pode ser o fato de um Espírito bom que queira falar e, para causar maior impressão nos seus ouvintes, toma emprestado o corpo de um encarnado, que o empresta voluntariamente, como emprestaria sua roupa. Isso se faz sem qualquer perturbação ou incômodo, e durante o tempo em que o Espírito se acha em liberdade, como no estado de emancipação, e na maioria das vezes ele se conserva ao lado do seu substituto para ouvi-lo.
    Quando o Espírito possessor é mau, as coisas se passam de outro modo; ele não pega o corpo emprestado, mas sim se apodera dele caso o titular não tenha força moral para resisti-lo. Faz isso por maldade contra este, a quem tortura e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo — seja por estrangulação, seja atirando-o ao fogo ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos membros e dos órgãos do infeliz paciente, ele blasfema, insulta-o e maltrata aqueles que o cercam; entrega-se à estranheza e a atos que têm todas as características da loucura furiosa.
    Os fatos deste gênero são numerosos, em diferentes graus de intensidade, e muitos casos de loucura não derivam de outra causa. Muitas vezes, há também desordens patológicas que são apenas consequências e contra as quais os tratamentos médicos são impotentes, enquanto persista a causa originária. Tornando conhecida essa fonte de uma parte das misérias humanas, o Espiritismo indica o meio de remediá-la: esse meio é atuar sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado por meio da inteligência.¹⁷⁶

    49. A obsessão e a possessão são muitas vezes individuais, mas não raro elas são epidêmicas. Quando um bando de Espíritos perversos se lança sobre uma localidade, é como se uma tropa de inimigos a invadisse. Nesse caso, o número dos indivíduos atacados pode ser considerável.¹⁷⁷


    Notas de Rodapé

    ¹⁶⁶ O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. VI e VII.

    ¹⁶⁷ Agêneres: expressão oriunda da língua grega que significa literalmente “que não foi gerado”. Kardec classificou assim os tipos de aparições realíssimas nas quais o Espírito manifestado se passa facilmente por encarnado. – N. T.

    ¹⁶⁸ Exemplos de aparições vaporosas ou tangíveis e de agêneres: Revista Espírita, janeiro de 1858; outubro de 1858; fevereiro de 1859; março de 1859; janeiro de 1859; novembro de 1859; agosto de 1859; abril de 1860; maio de 1860; julho de 1861; abril de 1866; “O lavrador Martinho, apresentado a Luiz XVIII, detalhes completos”, dezembro de 1866.

    ¹⁶⁹ Por exemplo, durante o sono ou durante um transe mediúnico — N. T.

    ¹⁷⁰ Exemplos de aparições de pessoas vivas: Revista Espírita, de dezembro de 1858; fevereiro de 1859; agosto de 1859; novembro de 1860.

    ¹⁷¹ Não se deve aceitar senão com extrema reserva as narrativas de aparições puramente individuais que, em certos casos, poderiam ser efeito de uma imaginação exaltada e, muitas vezes, uma invenção com um propósito interesseiro. Convém então levarmos em conta muito cuidadosamente as circunstâncias, a honradez da pessoa, assim como o interesse que ela possa ter em abusar da fé de indivíduos excessivamente confiantes.

    ¹⁷² Exemplo e teoria da transfiguração: Revista Espírita, março de 1859: ‘Fenômeno de Transfiguração’. (O Livro Dos Médiuns, 2ª Parte, cap. VII).

    ¹⁷³ Esse é o princípio dos fenômenos de transporte, fenômeno muito real, mas que convém não ser aceito senão com extrema reserva, pois é um dos que mais usados na imitação e na enganação. A honradez inquestionável da pessoa que os obtém, seu absoluto desinteresse material e moral, e o auxílio das circunstâncias acessórias devem levados em séria consideração. Sobretudo é importante desconfiar da excessiva facilidade com que tais efeitos são produzidos, e tomar como suspeitos os que se renovem com grande frequência e, por assim dizer, à vontade. Os ilusionistas fazem coisas mais extraordinárias. A levitação de uma pessoa é um fato não menos real; mas talvez muito mais raro, porque é mais difícil de ser imitado. É notório que o Sr. Daniel Dunglas Home [célebre médium escocês contemporâneo de Allan Kardec] se elevou mais de uma vez até o teto, dando voltas na sala. Dizem que São Cupertino tinha essa mesma aptidão, não sendo este mais miraculoso do que o outro.

    ¹⁷⁴ Exemplos de manifestações materiais e de perturbações operadas pelos Espíritos: Revista Espírita, “A jovem filha dos Panoramas”, janeiro de 1858; “Senhorita Clairon”, fevereiro de 1858; “Espírito batedor de Bergzabern” (narração completa), maio, junho e julho de 1858; “Dibbelsdorf”, agosto de 1858; “Padeiro de Dieppe”, março de 1860; “Fabricante de S. Petersburgo”, abril de 1860; “Rua das Nogueiras”, agosto de 1860; “Espírito batedor do Aube”, janeiro de 1861; “Flagelo do século dezesseis”, janeiro de 1864; “Poitiers”, maio de 1864 e maio de 1865; “Irmã Maria”, junho de 1864; “Marselha”, abril de 1865; “Fives”, agosto de 1865; “Os ratos de Equihem”, fevereiro de 1866.

    ¹⁷⁵ A aptidão de certas pessoas para línguas que elas conhecem, por assim dizer, sem as ter aprendido, não tem outra origem a não ser a lembrança intuitiva do que souberam noutra existência. O caso do poeta Méry, relatado na Revista Espírita de novembro de 1864: ‘Uma Lembrança de Existências Passadas’, é uma prova disso. É evidente que se o Sr. Méry tivesse sido médium na sua mocidade, ele teria escrito em latim tão facilmente como em francês, e todo mundo teria acreditado ser um prodígio.

    ¹⁷⁶ Casos de cura de obsessões e de possessões: Revista Espírita, dezembro de 1863; janeiro de 1864; junho de 1864; janeiro de 1865; junho de 1865; fevereiro de 1868; junho de 1867.

    ¹⁷⁷ Foi uma epidemia desse gênero que há alguns anos atacou a aldeia de Morzine na Saboia (veja o relato completo dessa epidemia na Revista Espírita de dezembro de 1862; de janeiro, fevereiro, abril e maio de 1863.

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